terça-feira, 31 de agosto de 2010

A LENDA QUE FEZ HISTÓRIA

A LENDA QUE FEZ HISTÓRIA

No pé da Serra da Ibiapaba

Nas margens frescas do Ipuçaba,

Ao embalo da brisa que desliza

A lenda de Iracema

Brotada do poema

Do mago Alencar

Ali nasceu... viveu...

À praia permeou

E foi à Messejana passear!

À sombra da oiticica

Ao látego da Bica

Das samambaias o roçar

Das águas o rorejar...

Cantou o amor

Curtiu a dor...

Índia guerreira

De flecha certeira!

Com as aves cantava

Com o vento bailava

Com a ema selvagem corria

Ao brilho da lua adormecia!

Inocente e fagueira

A morena trigueira

Quando o sol surgia

E o orvalho caia

Nas manhãs douradas

Fazia as caçadas...

Com a taba valente

Procurava a semente

Para o ipê plantar

Com o angico e o jatobá!

E na verde imensidão da mata

O canário, a jandaia em serenata

Na viva e bonita paisagem

Que cobre os céus, o riacho, as matas, a miragem...

Os caminhos, os lajedos

Deste outeiro soberbos penedos

Que a oeste fica

Onde escorrega a Bica

Na posição de atalaia

Orlada de heras, de samambaia

Iracema brincava...

Numa antevisão por nós olhava

Para o horizonte distante

Que vai muito além da serra em quadrante

Entende-se ao sertão

E na contemplação

Percorreu o litoral

E lançado ao quintal

Da história nordestina

Da tabajara menina...

E assim: paisagens e beleza

Nos traços que só a natureza

Detalha, em moldura montada

Lindamente arquitetada...

Com o ouvido atento

Ainda ouço o lamento

Das tristes cantigas antigas

Das meninas tabajaras, das ararenas das iracemas

Que um dia moraram nestas terras

Nas grimpas, nas serras...

Ouço o canto dos guerreiros valentes

Onças e gatos maracajás

Ou de tímidos preás...

A correr atrás das raposas, pacas, cotias

Até quando a noite descia!

E vinha o grito dolente no bofejo da viração

Dos caborés, noitibós, agourando a solidão...

O luar espancando penumbras, coadas aqui

Devassando meondros pelos galhos do oiti

Pelas fendas do lajedo

No arvoredo

Na linha do oitão

Vegetavam as beldroegas tímidas, o capinzal de raiz

Na feliz paragem iluminada rendilhada

Pelo azul nostálgico dos contrafortes da Ibiaapaba

Ao som da inúmbia do morubixaba!

Dra. Maria Cleide de Melo Lima Damasceno

Ao Blog Aconteceu Ipu – Afrânio Soares

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